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manhã...

Uma manhã comum, onde me dirigia sempre ao mesmo café. Desde que Inês fora embora, não tomo mais café em casa. E religiosamente sigo para uma cafeteria charmosa ao lado de casa. Os garçons já me conhecem, eu sou o homem magro, de olheiras profundas. Ao menos acredito que eles sussurrem entre si essas palavras para alegrar o dia, pondo nomes aos clientes costumeiros. Meu pedido também nunca muda, basta apenas me sentar que eles vem me servir um croissant com queijo e um expresso duplo. Fico ali, por algumas horas da minha manhã, observando os clientes inusitados e os de sempre. Outra mulher, de meia idade sempre senta a minha frente, tem horas que a visão repugnante do modo como ela come me enjoa ao ponto de me fazer levantar, pagar a conta e ir vagar pelas ruas. Hoje é um dia comum! Ela esta lá, gorda, branca, de rosto vermelho, com o nariz de porco, vestindo sempre um vestido florido, de cores berrantes. Cabelo vermelho desgrenhado, dessas tintas que com o tempo vão fi...

Sonhos

http://andreacarvalhostark.blogspot.com/  Sempre é o vapor da chaleira que embaça a janela e turva a visão, que ainda semi serrados os olhos, procuram através dos rastros, os movimentos passados do soldado de chumbo. Rememorando a vontade de percorrer, pontes que se içam levando-me para cantos escuros, a procura do cheiro... E a manhã vem chegando mansa, e o sono permanece no corpo mais magro, mas de vontade inteira. Desejos são imperiosos, vontades não realizadas, carregam interno fogo brando, mas fogo. Há prazeres, que nos tornam escravos. E é pelo açoite d’água de um Nilo imenso, que bate a porta e invade canais desconhecidos que afogam-se vontades insatisfeitas. E o corpo vibra a lembrança do toque, da força bruta delicada de revirar de ponta cabeça qualquer reinado próspero, pois não há gozo maior que o poder de controlar entre ventres o magma que queima o corpo na erupção conjunta. E as marcas do pé no chão põem as cartografias de volta ao lugar. Os deuses pag...

sais-je?

Francisco Guerreiro pela primeira vez tent'ontem imagem assola , de livros dei e dedicatórias deito que. não sei, nem quem fim seus novos. apenas comprovo sentimento estranho que cada dia mais, hoje, sou poeira. esfarelando-nos-os entre mãos, [in]visíveis doridas de mil patas nervosas que queira reter, vozes, peles, pelos, vezes de plusjamais toucher. faz-se sol, e me adentro ao ferro fogo. e grita: aplaca! dor que persegue dias.

nada.

mckean felicidade, vende-se em papel amarelado.

insône

tombe au Père-Lachaise daninha erva faz eras em veias rubras, de inatos sentidos. saaras perdidos de sonos rotos que escamoteiam camafeus pesadelos dos que não mais dormem.

belbellita

Mckean em nós, se refaz cordas teias essas tecelãs de tristezas que amarram as certezas em casulos ventre de infértil tempo.

A Espera da Dor

Algumas histórias de amor vistas por nós nos comovem pela tragédia ou nos aprisiona pela força que muitas vezes um personagem adultera pode ter no nosso imaginário. Como é o caso dos filmes sobre Romeu e Julieta e Anna Karenina. Que dão ao espectador a máxima de acreditarmos no amor não importa como ele nos apareça. E em Amor a Flor da Pele, a dor de amor se torna mais aguda devido ao desencontro e também ao encontro de um casal que daria certo juntos, mas são casados com outras pessoas, que aos olhos de todos nós crentes nesse sentimento não os complementam de forma alguma. O filme é obviamente uma homenagem poética ao que significa realmente amor, sem apelar para outros aditivos que nós sabemos ser necessários fora da tela de cinema e muitas vezes dentro da tela de cinema. Dentro do conflito principal do filme a traição e a não presença dos companheiros dos protagonistas da o tom e os caminhos que poderão ser tomados ou não no desenrolar da trama. Percebemos o quão frágil po...