Pular para o conteúdo principal

Postagens

Panem et Circenses

brassai Que dia foi esse Que te trouxe bela Serpenteando para dentro de mim Invadindo meus mundos com aquela imagem imperfeita Da sua perfeita forma Eu ali esperando                                                    um abraço Perdi-me em tantos braços Mas nos teus existe                                                       Espaço Onde me deleito E esqueço o cansaço Hoje vi que faltava um pedaço Na despedida nosso penúltimo contato meu coração Ofegante e disparado Notou ...

Eu, Modi

amadeo modigliani Meu corpo jaz sobre a neve E o branco do vestido da noiva Que me espera no fim da estrada De vermelho tinge a noite Os flocos caem sobre meu bebê E seu rosto respingado de azul Celeste, é o nome Pintarei seus olhos Quando neles descobrir o segredo De sua alma Meu corpo jaz sobre a neve Os passos que me precedem São ecos do meu futuro Do filho natimorto que carregaste no ventre sangue escorre por minha boca Meu rosto tem a maquiagem Borrada O pranto desfigurado Onde O eterno não é infinito Mas infinito se eterniza Em mim (Para Modligliani)

Blanco y Negro.

Renato Imasaki Antigamente me sussurravam Pelos cantos da casa grande: Você, jovem vagabundo É cidadão do mundo. E eu acreditei nessa falsa Verdade…  Todos os que quero,  lá foram! E eu que sonhei, com Castela, Cairo e Lisboa Aqui fiquei . O avião pousa e volta a voar. Dentro dele as areias que Coloquei em cada canto Escorrem como as espuma das Ondas na beira do mar.

le passé

carmô senna ser dessa sebe força é não esquecer que sentir brota sôfrego aos cálidos desejos de frias palavras e bocejos adejando ao vento o amor que não faz ser é sofrer pelos belos, olhos teus que não vou ver. (tentativa de construção pós manuel de barros: "O maior apetite do homem é desejar ser. Se os olhos vêem com amor o que não é, tem ser".)

manhã...

Uma manhã comum, onde me dirigia sempre ao mesmo café. Desde que Inês fora embora, não tomo mais café em casa. E religiosamente sigo para uma cafeteria charmosa ao lado de casa. Os garçons já me conhecem, eu sou o homem magro, de olheiras profundas. Ao menos acredito que eles sussurrem entre si essas palavras para alegrar o dia, pondo nomes aos clientes costumeiros. Meu pedido também nunca muda, basta apenas me sentar que eles vem me servir um croissant com queijo e um expresso duplo. Fico ali, por algumas horas da minha manhã, observando os clientes inusitados e os de sempre. Outra mulher, de meia idade sempre senta a minha frente, tem horas que a visão repugnante do modo como ela come me enjoa ao ponto de me fazer levantar, pagar a conta e ir vagar pelas ruas. Hoje é um dia comum! Ela esta lá, gorda, branca, de rosto vermelho, com o nariz de porco, vestindo sempre um vestido florido, de cores berrantes. Cabelo vermelho desgrenhado, dessas tintas que com o tempo vão fi...

Sonhos

http://andreacarvalhostark.blogspot.com/  Sempre é o vapor da chaleira que embaça a janela e turva a visão, que ainda semi serrados os olhos, procuram através dos rastros, os movimentos passados do soldado de chumbo. Rememorando a vontade de percorrer, pontes que se içam levando-me para cantos escuros, a procura do cheiro... E a manhã vem chegando mansa, e o sono permanece no corpo mais magro, mas de vontade inteira. Desejos são imperiosos, vontades não realizadas, carregam interno fogo brando, mas fogo. Há prazeres, que nos tornam escravos. E é pelo açoite d’água de um Nilo imenso, que bate a porta e invade canais desconhecidos que afogam-se vontades insatisfeitas. E o corpo vibra a lembrança do toque, da força bruta delicada de revirar de ponta cabeça qualquer reinado próspero, pois não há gozo maior que o poder de controlar entre ventres o magma que queima o corpo na erupção conjunta. E as marcas do pé no chão põem as cartografias de volta ao lugar. Os deuses pag...

sais-je?

Francisco Guerreiro pela primeira vez tent'ontem imagem assola , de livros dei e dedicatórias deito que. não sei, nem quem fim seus novos. apenas comprovo sentimento estranho que cada dia mais, hoje, sou poeira. esfarelando-nos-os entre mãos, [in]visíveis doridas de mil patas nervosas que queira reter, vozes, peles, pelos, vezes de plusjamais toucher. faz-se sol, e me adentro ao ferro fogo. e grita: aplaca! dor que persegue dias.