kertés Não desligo o computador em meu quarto fazem anos, não entendo porque essa rotina. Não é vicio, não é por estar lá e conversar com quem não posso tocar. Simplesmente é eco. De uns tempos para cá tenho relembrado mais a gente, dos apelidos trocados e de como tudo mudou. Parece que não existe aquele fascínio de ficar lá me esperando falar, esperando minha próxima vírgula, gargalhada, música. No momento em que saiu por aquele portão, eu comecei a voltar as minhas raízes, escutar meus sambas, arrumar a casa, perfumar, trocar as flores e as roupas de cama, sabia que o próximo a entrar por aquela porta, e entrar na minha vida não seria mais você. Por que eu tinha tanta certeza? Não sei explicar. Mas carregava o peso comigo, como se carregasse um defunto que me esqueci de enterrar. Viúva de homem vivo é a pior das sinas. Viúva de marinheiro galego ainda mais. Pois sei que não sou a verdadeira, sou apenas mais uma das estradas. A limpinha, de família, falante... Entre...