Diz que a pedra, de tanto bater, fura — e o sulco fica, feito marca em couro velho, nunca mais desfeita. Pedra não é areia nem água — não se molda pedra, não se amacia gente. E sem barulho, nem alarde, feito pedra rachando fundo dentro d'água, veio o primeiro fio de estranheza — atravessando o peito, apertando, engasgando, fazendo nó que não se desfaz. O que o olho vê e o verolha não é o outro mais: é o não-ver. Será a cegueira virada do avesso? Talvez o regresso, a lembrança puxada, seja só uma correria desesperada pra aquilo que já nem se pode mais ajuntar. O que era firme amoleceu, desmilinguido, e a tua palavra, que era roca de fiar, virou bravata — precisando de disfarce pra poder ser, de ser pra abafar dor. No Buriti, um alguém, sem querer querendo, largou umas palavras. E a que mais ecoa é aquela que disse da mistura do mundo — que todas as cores remexidas fazem é lodo. Lodo de tinta que nem pinta, nem sabe mais que cor devia ter um coração. Era bom demais... aquela inocênci...
muito bom! era isso q eu tava esperando de vc!
ResponderExcluiré uma antítese. é um paradoxo q me vem a mente q me congela atônito. pq um broto nascente só nasce pq é devorado; mais: o próprio ato de devorá-lo o faz brotar, oq é contra a lógica, afinal ele não havia... mas qem disse q o mundo é regido pela lógica?
lindo.
e, porra! vc consegue fácil um kakekotoba com delemus, apagamos (mesma raiz de deletar/deletério) e dolemus (raiz de dor), lamentamos... a dor q o faz nascer o apaga?! o nascimento enqanto desaparecimento...