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Rotina

Acorda lava a cara Corre se arruma Sai desembestada A vida não tem mais O compasso traçado Esconde leva a fome Come num prato Sua ilusões e sonhos A vida não é mais O compasso traçado Pula e cai na chuva Essa torrente de choro Não passa com o dia A vida não foi mais O compasso traçado Dorme chega em casa Se trancando em seu silêncio Demora a sentir o som A vida não é, foi ou tem O compasso traçado. Copyright @ Carmo Senna, 2006

Escadas do CCBB

Contamos nossos segredos Em uma sala imaginária Onde todas as angustias são dilaceradas Nos resta apenas observar e aprender um com o outro Sempre valorizando o conselho dado A escolha feita por cada coração. Não importa os limites impostos Pela sociedade, nos acostumamos a quebrar. As nossas barreiras para as conversas Somos acompanhantes nesta selva De palavras que nos torna cada vez Mais amigos E o que nos liberta e aprisiona São as linhas, letras e formas tão Suas e minhas Que é quase impossível avaliar Onde começa eu ou termina você. (Ao meu amigo Dantas que não reconheceu seu verso em outro poema) Copyright @ Carmo Senna, 2006

Ampulheta

De todas as areias do mundo Os navios se encontram no deserto É dele que é feito o passado Das dunas tecemos amores Das dores os acasos Mas não podemos versar Sobre o inusitado É dele que os corações se aquecem As inspirações são chama E os suspiros Mentirosos senhores De engenhos e farinha De presente e poesia Apenas senhores do tempo Vindouro do amor De nós dois. Copyright @ Carmo Senna, 2006

Nasce o poeta

Esperanças, Melhor eu não ter E seguir minha vida Meio bossa meio samba Só num choro prolongado Na barra da calça do bamba Daquela voz de índio Misturado com branco Que nasce negro Nasce faceiro Nasce poeta Nasce cantor Nasce baiano Carioca, mineiro, pernambucano. Nasce mutante de um coração sem nó. Copyright @ Carmo Senna, 2006

Olhar Agateado...

É necessário escrever o que não sente. Mas se vê em contos de fadas Perdemos o essencial quando falamos De romances e amizades mesmo afirmando que esquecemos, Que é apenas fogo de palha remover as areias da praia. O mundo sempre trás a questão O que é ter um amigo então? Hoje no pensamento poderíamos Encontrar amores E só renegamos os nossos temores Nada mais que passado Simples chuva de verão. Acreditamos nessa falsa verdade Nesses mesmos olhos e nessa maturidade Mais que aparente, é latente. Sendo a única coisa que realmente mexe Falar dos C's e dos D´s Nos apaixonar e pensar sempre No mesmo menino carioca com Fama de homem sedutor. Copyright @ Carmo Senna, 2006

Café, Caneca, Canela e Chocolate

Quando se compra um presente Brindasse com a alma A alegoria do inusitado Contraste entre escolhas. Apresenta-se aos levianos O gosto que pode ser amargo Sem açúcar, sem especiarias. Pois é preto. Acabasse por se desfazer Na boca quente Ao leite ou meio amargo Mas sempre torrado. E nessa maravilha aromática A tal surpresa embriagada Esbarra na louça Feita de saudades Que arrebentamos com rápidas palavras Francesas de despedidas Onde o inusitado já ocorreu O aniversário fora lembrado. Ali continha embrulho, laço Cor, cheiro e intenções. Que da parte do mercador Não apareceu a tempo do bolo. E nisso tudo o que É igual ressurgi Num simples dialogo Entre a espuma e o grão. (Para Daniel Viana. Em homenagem ao meu presente de aniversário que nunca chegou). Copyright @ Carmo Senna, 2005

Conversa de portas fechadas

Bebo Injeções de paixão e cafeína Dias de ilusão e creolina Onde estará a criança Na UTI da esperança... Esperando o circo passar Agora fala criatura muda Que num diz uma palavra Só sussurra Fala da vida Da beleza Da dor e da avareza Mas fala homi O que faz a essa hora? Criança devia ta na escola Aprendendo com sonho e com a noite Mas como sempre, criança levada prefere a madrugada. Não vai sussurrar, nem cantar, nem gritar?! Porque eu só entrei na internet pra mode prosear Com o dono da minha alegria Bem vou puxar a lona... O circo passou e não me levou E meu amor foi com ele, e nem notícias mandou... Dor de desespero e aperto no peito Inté menino, inté! (Foi desse poema que surgiu a música "Inté menino") Copyright @ Carmo Senna, 2005